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Carreira: É preciso liderar com o coração!

Autor: Tom Coelho*

Dale Moss foi executivo da British Airways por mais de 20 anos, liderando cerca de 12 mil colaboradores.

Sua experiência o ensinou que construir uma boa equipe é responsabilidade do líder que deve inspirar as pessoas – mas inspirando-se primeiro. Além disso, a performance é uma atribuição direta da liderança organizacional. Por isso, se uma empresa não estiver se saindo bem, vá direto ao topo!

Sua concepção de liderança envolve cinco atributos básicos:

1. Caráter. Contempla integridade, coragem e confiabilidade. A expressão-chave é: liderar pelo exemplo.

2. Compromisso. Compreende desejo, foco e impulso. Trata-se de comprometimento com as metas estabelecidas.

3. Competência. Baseia-se no conhecimento e, mais do que isso, na habilidade de processá-lo alcançando a sabedoria. O desejo de aprender deve transformar líderes em eternos estudantes da vida.

4. Comunicação. Deve ser frequente, ou seja, é preferível pecar pelo excesso. Também precisa ser verdadeira, transparente e sensível com as pessoas e as circunstâncias.

5. Interesse. Resumido em uma única palavra: empatia. Seja duro nas questões, ao lidar com problemas, porém brando e flexível ao lidar com as pessoas.

Além destes aspectos, Moss alerta os líderes para a importância da cultura e dos valores corporativos. Transparência, responsabilidade e confiança são bens supremos, assim como a integridade e a honra.

O mau hábito de usar da honestidade apenas quando se acredita que alguém esteja olhando produziu empresas dignas de um “hall da vergonha”.

Deve-se jogar para ganhar. Ir até onde for possível usando todos os recursos de que se dispõe. Porém, liderança é um jogo de estilo. Não é o que você faz que conta, mas como você faz.

Antes que você possa realmente liderar, tenha um código capaz de orientá-lo pela vida. E lembre-se de que as pessoas não estarão lá para atender você, mas você deverá estar a postos para atendê-las. Afinal, liderar é servir.


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* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br. e www.setevidas.com.br.

Carreira: eu sou meu cargo

O artigo abaixo é de autoria de Jerônimo Mendes da APEX Executive Search e gostaria de compartilhar com vocês.

De acordo com Peter Senge, autor do best seller A Quinta Disciplina, "as pessoas são treinadas para exercer a lealdade ao cargo que ocupam, tanto que chegam a confundilo com a própria identidade". Quando alguém pergunta a uma pessoa o que ela faz para viver, a maioria descreve as tarefas do seu dia a dia e não o propósito maior da empresa onde trabalha. Em síntese, os profissionais não estão preocupados com a visão, a missão e os valores da organização, mas com a manutenção do cargo e também do sobrenome da empresa mediante a pressão que os chefes exercem sobre eles na busca pelos resultados.

De fato, a maioria dos profissionais se vê dentro de um sistema sobre o qual tem pouca ou nenhuma influência, aquilo que Gareth Morgan, pesquisador canadense, atribuiu como metáforas em seu clássico Imagens da Organização. Para Morgan, "as organizações são em essência realidades socialmente construídas que estão muito mais nas cabeças e mentes dos seus membros do que em conjuntos concretos de regras e relacionamentos". Portanto, salvo raras exceções, as pessoas associam o nome, o cargo e a própria carga de trabalho para criar uma metáfora pela qual são capazes de lutar ou amaldiçoar pelo resto da vida, coisas do tipo "a empresa é uma mãe para mim", "ganho pouco, trabalho pouco" ou abomináveis como "meu nome é trabalho".

Quando um profissional concentra-se exclusivamente no cargo que ocupa e faz do nome da empresa o seu sobrenome, tanto faz se os resultados são bons ou ruins. Para ele, se os resultados são bons, ninguém reconhece o seu desempenho; se são ruins, torna-se difícil descobrir os motivos do fracasso e resta, então, presumir que alguém, exceto ele, cometeu alguma besteira.

A maioria das empresas apresenta enormes indícios de problemas, mas estes são ignorados, geralmente pelos responsáveis principais, donos, diretores e gerentes, até que uma consequência maior possa obrigá-los a assumir o comando do navio, quase sempre quando não se pode mais evitar o naufrágio. Nas minhas andanças pelas empresas fico estarrecido quando o assunto é cargos e salários. Qualquer tentativa de ajuste do cargo ou da função, dentro de uma nomenclatura mais adequada ao momento em que vivemos, gera frustrações e descontentamento. Imagine que cargos e funções do tipo "pegador de papel", isso mesmo, "calandrista", "mexedor de massa" ou "aparador de bobinas" ainda são cultuados em carteiras profissionais. E ai daquele que se atreve a mudar. É motivo para reclamação no sindicato e coisas do gênero. Imagine, então, quando o ajuste precisa ser feito em nível de diretoria ou gerência. Não é fácil promover um "mergulho"
no cargo de diretor para gerente ou coordenador. Orgulho e ego unem-se para combater uma heresia dessas e o resultado, quase sempre, é a demissão pura e simples.

Queiramos ou não, os cargos terminam, os chefes são transitórios, as denominações mudam, os empregos tradicionais deixam de existir depois de alguns anos e se estivermos agarrados ao nosso cartão de visitas, não haverá como alegar surpresas no dia do juízo final corporativo. Por outro lado, se você empenhar-se de corpo e alma em algo que lhe proporcione prazer, sentido de realização e sentido de contribuição, conseguirá enxergar-se de maneira mais valiosa e nunca ficará preso a cargos e crachás.

Nesse sentido, ter consciência absoluta das suas forças e fraquezas, habilidades e competências pessoais, é fundamental para construir a sua própria identidade no mercado e vislumbrar um novo cenário na sua trajetória profissional. Lembre-se, quanto mais preso ao cargo você estiver, maior a dificuldade de explorar novas possibilidades. Aproveite seus talentos, habilidades, virtudes e competências para construir uma nova identidade.

Seja o profissional que você deseja ser, mas seja o melhor de todos. Isso é uma questão de posicionamento e de confiança em si mesmo. Tente não fazer do emprego um trampolim para outro, ou seja, "estou por aqui enquanto não acho nada melhor", pois, além de canalizar toda energia em algo que não agrega valor, ainda vai denegrir sua imagem perante o mercado. Se você tem emprego, mas não tem amor pela profissão, ainda tem um longo caminho a percorrer.

Pense nisso e seja feliz!