Paper: Torre de babel - Blinde o BPM

Convivemos com inúmeras siglas que representam tecnologias e ferramentas à disposição de profissionais e empresas dos mais diversos segmentos. A convivência com essa sopa de letras e siglas acaba sendo um verdadeiro terror, tornando a empresa uma torre de babel, onde ninguém se entende e a tecnologia acaba sendo o “fim” e não o “meio” para impulsionar ações estratégicas do negócio.

Para quem não conhece o significado da torre de babel uma breve descrição:

(...) Um grupo pensou: "Vamos fazer uma torre bem alta, a mais alta, para encostar no céu, (...) nós vamos ficar famosos com nossos nomes conhecidos, temos muito que trabalhar."

E foram juntando tijolos, a torre subia, mas o trabalho virou briga e nas palavras ninguém se entendia. A torre que subia não servia para morar e as palavras que se usavam só serviam para mandar!!! (Genesis 11).

Pode-se entender o “fim” em sua compreensão literal, pois se as áreas de TI das organizações continuarem a insistir na tecnologia por si só, estarão cada vez mais distantes do seu verdadeiro propósito e fadadas ao insucesso.

Apenas algumas siglas que rondam o ambiente corporativo e que são verdadeiramente incorporadas ao linguajar dos profissionais, como a solução para todos os problemas: EA – Enterprise Architecture; SOA – Service Oriented Architecture; EAI – Enterprise Application Integration; XML – Extensible Markup Language; UML – Unified Modeling Language; SODA – Service Oriented Development of Applications; e tantas outras.

Nessa imensidão de siglas, tecnologias e ferramentas é importante blindarmos um conceito que não pode ser absorvido pelo mundo da TI, apesar de atualmente estar fortemente apoiado por inúmeras tecnologias.

O conceito de BPM – Business Process Management não pode ser confundido com o do BPMS – Business Process Management System, por exemplo, pois BPM é muito mais, muito mais que uma ferramenta. Vamos voltar um pouco no tempo.

Aproximadamente nas décadas de 1980/1990), começaram a surgir estudos para melhoria na qualidade das empresas, puxados por Davenport e Hammer, principalmente. Nessa época, iniciou-se a abordagem sobre o modo de gerir empresas, não de forma departamental, mas com a visão de processos. A idéia proposta basicamente consistia que cada empregado – consciente de seu papel e de como este afeta o cliente – fizesse parte de um processo que vai além das atividades da sua área ou departamento.

Nessa linha não posso deixar de perceber o BPM ou Gestão de processos como uma nova roupagem do bom e velho O&M – Organização e Método, porém mais moderno e fortemente apoiado por tecnologias e ferramentas.

A figura 1 ilustra o que de fato é o BPM, um conceito que vai muito além do mundo da TI. É negócio puro! Na verdade TI e Negócio deveriam estar alinhadas com o objetivo de garantir a agregação de valor à empresa, mas esse não é um nível de maturidade presente na maioria das organizações.










Figura 1: BPM / Fonte: IBM Lombardi

Voltando ao BPM, podemos simplificar o conceito, afirmando que é uma camada que organiza e estrutura as atividades realizadas pelas pessoas na organização, atividades essas que podem ser suportadas por sistemas e tecnologias específicas. A partir desse ponto o BPMS pode contribuir, mas abordarei esse tema em outro paper.

Não podemos deixar que BPM seja absorvido e confundido com as inúmeras siglas do mundo da TI. BPM, por meio de seus projetos, visa a melhoria dos processos da organização, sua eficácia e sua otimização. BPM não é da TI, mas ela pode contribuir muito com as iniciativas e com os projeto de BPM. Quem sabe o BPM não seja a solução para a TI?